quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Reforma agrária pode ter seu pior índice pelo segundo ano consecutivo


Dados do Incra indicam que de janeiro a novembro de 2012, somente 10.815 famílias foram assentadas. Para o MST, a reforma agrária e investir em assentamentos são políticas fundamentais para superar a miséria.


O ano de 2012 foi bem pior do que 2011 para os movimentos sociais que lutam pela reforma agrária no Brasil. O ano passado já foi emblemático por ter sido o pior dos últimos 16 anos em relação à distribuição de terras. No período foram assentadas pouco mais de 21 mil famílias, segundo dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
No entanto, os novos dados do mesmo órgão indicam que de janeiro a novembro deste ano, somente 10.815 famílias foram assentadas.
Para Marina dos Santos, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), esse é um número irrisório, diante da realidade tão complexa que há no Brasil, com altíssimo nível de concentração de terra.
“Por um lado, esse é um número que reflete o aumento da concentração da terra no Brasil e da desnacionalização da terra, juntamente com os bens naturais. Por outro lado, o governo prioriza o grande latifúndio e a produção de poucos produtos para a exportação; em detrimento do fortalecimento da agricultura familiar camponesa e da realização da reforma agrária”, denuncia.
No entendimento dela, a realização da reforma agrária e o investimento nas áreas dos assentamentos são políticas fundamentais para superar a miséria do país. Essas medidas beneficiariam tanto a população que vive no interior como quem mora nas cidades, por meio da geração de emprego, crescimento do mercado local e produção de alimentos mais farta, barata e com maior qualidade.
“Cresce o papel dos movimentos sociais, que é o de fazer pressão aos governos, para que cumpram com sua responsabilidade, que é de penalizar o latifúndio improdutivo e realizar a reforma agrária no país”, ressalta Marina.

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