terça-feira, 10 de maio de 2011

MST chega com a rede e a bagagem

No início da noite de ontem (9), integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), de seis acampamentos do sudeste do Pará começaram a montar acampamento nas imediações da sede da Superintendência Regional do Incra, em Marabá. A manifestação pacífica é uma forma de forçar a superintendência a legalizar áreas de acampamento no sudeste do Estado.
Atualmente, existem 100 fazendas ocupadas na área de abrangência da Superintendência Regional do Incra. Desse total, apenas seis acampamentos são controlados pelo MST. O restante é composto por famílias filiadas à Fetagri, à Fetraf ou a outras associações de camponeses.
Der acordo com o advogado João Batista Gonçalves Afonso, coordenador da CPT, muitos desses acampamentos existem há pelo menos quatro anos, de modo que os movimentos sociais vêm negociando com a superintendência a transformação desses acampamentos em projetos de assentamento, mas, como o processo está muito lento, os MST resolveu pressionar o Incra.
Por outro lado, Tito Moura, integrante da Coordenação Estadual do MST, disse que, além do problema nos acampamentos, o Movimento cobra ainda infraestrutura nos PAs que já estão regularizados. Segundo ele, há déficit nos créditos para habitação e apoio, além da abertura de estradas.
Um pouco antes de montarem o acampamento no Incra, representantes do MST conversaram com representantes da Superintendência. Ao final da reunião, ficou acertado que o superintendente Luís Bonetti irá a Brasília amanhã (11) levar a pauta de reivindicação dos camponeses.
Os integrantes do Movimento passaram a noite em vigília na porta da superintendência e, segundo Tito Moura, o MST não vai paralisar as atividades na SR-27.
Problemas – Segundo Batista, da CPT, a Superintendência Regional do Incra em Marabá informou, no fim do mês passado, que até o final deste ano serão assentadas apenas mais 1.500 famílias.
Para ele, isso representa um avanço muito pequeno, pois existem hoje, seguramente, 12 mil famílias acampadas. “Vamos ter aí 10.500 famílias aguardando, ano após ano, uma solução que nunca aparece. Não é fácil ficar até 10 anos debaixo da lona preta”, declarou.

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