quarta-feira, 4 de julho de 2012

A Ilha dos Esquecidos


Quem mora no sul e sudeste do Pará e precisa viajar de vez em quando entre as cidades desta região “come o pão que o diabo amassou... com os pés”.
Praticamente não existe estrada. E tanto faz se é estadual ou federal. O que existem são ilhas de gente esquecida penando para rodar 100 quilômetros ou até menos em espaços de duas, três horas ou até mais.
Os carros se acabam, a poeira devora a paciência do cidadão e os buracos engolem o resto de esperança em dias melhores.
São tantas siglas: BR-155, BR-230, PA-287, PA-279, PA-275, PA-160... Ufa!
São tantas letras e números que não servem para nada. Servem apenas para quem não anda por essas bandas.
É angustiante viver numa região tão rica, tão conhecida e tão cobiçada, onde o povo não tem direito nem de viajar quando precisa.
O pior é que nossas cidades já foram brindadas tantas vezes com visitas ilustres de gente que só sabe prometer e depois volta para seus gabinetes refrigerados na capital.
Por isso é que quase todos que moram aqui não se sentem parte do Pará.
De fato: não somos, talvez jamais seremos.

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