segunda-feira, 16 de julho de 2012

A Celpa é um bom exemplo


Para quem acha que a privatização é o remédio para todos os males, o caso da Celpa é um bom exemplo de que isso não é verdade. Aliás, o que ocorre é exatamente o contrário.
Se a ideia da privatização ou da terceirização de estatais e de serviços públicos é acabar com os gastos desnecessários e com os cabides de emprego, reconhecendo que o Estado é incapaz de fazer isso sozinho, a privatização se mostra contraproducente.
A Celpa, para quem não lembra, foi vendida para um grupo de São Paulo chamado Rede, no ano de 1997, mas sete anos depois o grupo começou a tirar recursos da Celpa para investir em outras concessionárias que ele já detinha. Com isso a concessionária começou a perder qualidade na sua prestação de serviço e passou a atuar como se fosse a antiga estatal, cheia de problemas, igualzinho antes da privatização.
O caso chegou a ser denunciado, em 2008, para a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), pela então governadora Ana Júlia Carepa, que sugeriu uma intervenção federal na empresa, mas nada foi feito.
Agora, em 2012, a Celpa pediu concordata, usando o eufêmico apelido de “recuperação judicial”, o que na prática significa que a Celpa não vai pagar suas contas com o Estado e com os fornecedores.
Ao mesmo tempo, a Celpa está pedindo um aumento no valor da tarifa de energia em 30%, exatamente agora, neste momento de crise.
O que também deixa o consumidor indignado – ou pelo menos deveria – é que já pagamos uma das tarifas mais altas do País, nós que moramos encostados na Barragem de Tucuruí.
Mas isso não é tudo: recentemente a Aneel declarou que a Celpa não tem mais jeito e agora estão tentando vendê-la para outro grupo.
O pretendente é o Equatorial, do Maranhão, mas, pasme, os executivos dessa empresa já disseram que querem comprar a concessionária de energia, mas não tem dinheiro para isso.
Agora, adivinhe de onde eles querem a verba para ficar com a Celpa? Do BNDES. Ou seja, vem aí mais uma privatização com dinheiro público.
Enquanto tudo isso vai acontecendo, continua em curso o processo de renegociação das dívidas da Celpa, que não paga nenhuma de suas contas.
Parece brincadeira, mas a única dívida da concessionária de energia elétrica que está sendo paga é um débito com a União, que é descontado do FPE – Fundo de Participação dos Estados. Ou seja: quem está pagando a conta é o governo do Estado, por meio dos impostos que ele arrecada de mim e de você.
Trata-se de um catálogo de escândalos, cujo resultado final é isso que vemos aí: dinheiro público alimentando empresas privadas, consumidor pagando caro por um serviço ruim e pequenos grupos político-econômicos ganhando com isso.
É por essas e outras que sou contra as privatizações, mesmo que no seu cerne tenham sido cercadas de todas as boas intenções, embora nunca sejam.

2 comentários:

Anônimo disse...

A corda só quebra pro lado do mais fraco!!!!

Anônimo disse...

Caro Chagas, fui funcionario por 26 anos da área técnica(eletrotécnica) da Celpa - gosto da referência sem "Rede" - por motivos óbvios. Concordo com suas colocações, ao mesmo tempo em que faço pequena correção agrego mais informações ao caso. A bem da verdade, a "venda da concessão" se deu em Junho de 1.998, pelo então Governador tucano(PSDB)Almir Gabriel com participação direta notória e efetiva do então Secretario Especial de Governo Simão Robson Oliveira Jatene, hoje Governador do Estado do Pará. O Sindicato dos Urbanitarios do Pará(STIU-PA), à época contratou uma empresa que realizou estudo técnico avaliando a empresa em quase RS 800 milhões. A "venda"(subfaturada)foi fechada em RS 450 milhões, dos quais, a metade foi subsidiada pelo BNDES(dinheiro público)como bem citas, ou seja, um "negócio de pai para filho". Do final de 98 até a época do pedido de "recuperação judicial" - falência em outras palavras - as verbas conseguidas no balanço anual na rubrica "Lucros" foram sistemática e metódicamente transferidas para "ajudar financeiramente" outras empresas do Grupo Rede em outros estados. A Celpa têm uma arrecadação mensal em torno de RS 220 milhões. Daí em diante o seu blog é auto explicativo no assunto.Outra coisa, recentemente, a Câmara de Vereadores de Belém(CMB) aprovou o Projeto de autoria do Executivo que cria as Parcerias Público Privadas(PPP's)que autoriza o governo estadual a vender e/ou terceirizar os serviços de empresas do Estado, como Cosanpa, Banpará, UEPA etc... Já se percebeu que a "privatização" só mudou a forma e denominação. O "mau" exemplo aí está, a Celpa. Em 24.07.12, Marabá-PA.