sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Moro num lugar comum

A mortandade que assola ao meio-dia parece que bate com luva de pelica na cara da sociedade. Ninguém sente o baque.
Crianças fedendo como animais, dormindo sobre caixas de papelão desmanchadas e tudo parece normal.
Virou cartão postal na Rodoviária de Marabá; virou símbolo, mas não apenas de Marabá, esta “terra bendita” de onde manam leite e mel.
O menino que dorme na rua e se alimenta das migalhas que caem das escassas mesas fartas é o emblema mais cruel e real de um mundo sem dono, sem rédeas, sem escrúpulo e sem limite.
Enquanto alguns são escravos das marcas que enfeitam camisetas de algodão comum, outros são escravos da fome, companheira vigilante de todo dia.
Só existem crianças comendo de menos porque há outras comendo demais.
É uma equação, até certo ponto, simples de formular, mas difícil de resolver porque existem incógnitas que cumprem muito bem o seu papel.
Ninguém sabe dizer, ao certo, por exemplo, quando foi que começamos a achar normal que uns morressem de inanição enquanto jogamos comida fora.
E enquanto discutimos aqui, mais uma criança de roupas rasgadas e pés descalços “passeia” anestesiada pelo crack em busca de comida, amargando mais um dia de miséria.
Talvez você deva estar pensando que esse problema “não tem jeito mesmo”.
Mas... e se fosse seu filho?

6 comentários:

Quaradouro disse...

"esta “terra bendita” de onde manam leite e mel." E maurinos por toda parte...

CLUBE DE XADREZ MARABÁ disse...

Tiro o chapéu para o pequeno texto e grave problema social, tão bem retratado. Vejo que há, ainda, pessoas que pensam e agem com o coração.

Acredito que há uma solução: amar esse povo. Mas, quem ama cuida. A solução passa por investimentos maciços na Educação.

Estes excluídos e humilhados precisam estar em escolas com jornada integral, onde podem passar o dia sendo educado, cuidado e alimentado, só saindo para casa à noite.

Acredito que nestas Escolas poderia haver diversas atividades educativas, recreativas e esportivas. O Xadrez seria uma ferramenta fundamental neste projeto.

Mas, com a realidade que temos em nossa cidade, cada um buscando, cada vez mais, o seu milhão, superação em ganância infinita.

Francisco Arnilson de Assis
Presidente do CLUBE DE XADREZ MARABÁ

heriomar disse...

cara amigo Arnilson, concordo com você com numero genero e grau , como dizia o poeta o buguesia fede, o fedor do poder da ganancia e principalmente o absolutismo onde não se ve e não se faz nada para mudar estas cituaçôes. O que se pode esperar destas pessoas que so tem o dia e noite porque Deus lhes Dá!?!!?

reporterchagasfilho disse...

Obrigado, Arnilson. Vamos continuar denunciando essa situação, pois o problema é seriíssimo em Marabá.

reporterchagasfilho disse...

Obrigado, Arnilson. Vamos continuar denunciando essa situação, pois o problema é seriíssimo em Marabá.

Anônimo disse...

Caro Heriomar: Em se tratando de riquezas, o que é demais nunca é o bastante.

Pensam no patrimônio pessoal e consideram a exclusão social como algo comum, sem importância.

Enquanto isso faremos o que estiver ao nosso alcance. Que Deus olhe por todos nós.

Arnilson