quinta-feira, 30 de junho de 2011

É uma pena (ou sobre o fim das ilusões)

Eu sei que muita gente há de querer me crucificar por causa de minhas palavras. Tudo bem. Afinal, quem escreve para muitos, como é o meu caso, tem que estar pronto para isso. Então vamos lá.
Se nós vivêssemos num sistema político/econômico diferente do que temos e se nossos representantes políticos fossem um pouquinho mais confiáveis, a divisão territorial do Pará seria o maior projeto de desenvolvimento de um povo. Mas não é isso que acontece.
Teoricamente é perfeito: Estados pequenos são mais fáceis de ser administrados.
O problema é que nós vivemos num País concentrador, onde uma elite detém quase toda a riqueza, enquanto aqueles que se espremem na base da pirâmide social são proibidos de serem donos de qualquer coisa.
Nós, deste rincão esquecido pelo governo do Estado, criticamos que todo o investimento fica concentrado na zona metropolitana.
É verdade: lá eles têm mais hospitais e mais médicos.
Então o que explica o fato de tantas pessoas morrerem na fila dos hospitais sem conseguir atendimento, lá na Belém-Maravilha?
Saiba: aqui como lá, a riqueza está nas mãos de poucos e simplesmente lutar para dividir o Estado não vai fazer com que esses poucos fiquem bonzinhos da noite para o dia e resolvam socializar aquilo que deveria ser nosso de direito.
É uma pena.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito pertinente sua reflexão. Compartilho dela. E, para além, de vítimas podemos somar àqueles que se negam a considerar essa estado de coisas como dado natural. As palavras servem também para isso. Muito bom!
Idelma