sexta-feira, 15 de junho de 2012

Pecuária e indústria do ferro financiam o desmatamento e a escravidão


Estudo apresentado terça-feira (12), durante a Conferência Ethos Internacional, em São Paulo (SP), mostra que a produção de ferro-gusa e aço no Brasil tem em sua base problemas graves que precisam de soluções urgentes e mudanças drásticas.
Intitulado "Combate à devastação ambiental e ao trabalho escravo na produção do ferro e do aço", o estudo foi feito pelas organizações Repórter Brasil e Papel Social, a pedido de WWF-Brasil, Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Rede Nossa São Paulo e Fundación Avina. O documento é resultado de mais de dois anos de pesquisas.
As pesquisas de campo foram realizadas em 12 cidades, entre elas Marabá, São Luís (MA) e Imperatriz (MA). Tais pesquisas permitiram não só traçar e demonstrar a ligação direta entre algumas das principais fabricantes de ferro e aço do país com a produção de carvão clandestino, como também detalhar mecanismos comumente utilizados para driblar a fiscalização.
Um exemplo é a lavagem de carvão, quando unidades produtoras ilegais regularizam o produto com documentos falsos ou apresentando a produção como se fosse de uma unidade regularizada.
O estudo também trata de reflorestamento de fachada, uso de terras públicas, contrabando de carvão do Paraguai e de como o desmatamento e a exploração do homem têm recebido apoio e investimentos públicos.
Foram identificados grupos que usaram carvão vegetal de fontes flagradas produzindo de forma ilegal. Entre eles, Sinobras, Sidepar, Cosipar, entre outros.
O estudo vai mais longe e diz que essas empresas, enquanto processavam esse carvão, estiveram conectadas comercialmente a grandes companhias como ArcelorMittal, Cosipa, Gerdau, Mahle, Fiat, Ford, General Motors e Volkswagen.
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