quarta-feira, 13 de junho de 2012

Os namorados e a bala

Sabe o que é viver vários anos com uma pessoa e num piscar de olhos perdê-la para sempre?
Fico me perguntando se existe alguma palavra que seja capaz de explicar o que se sente numa hora como essas.
Não há... Pelo menos para mim.
Pois foi o que aconteceu com um humilde casal de vendedores de queijo em Curionópolis, ontem, Dia dos Namorados.
Assaltantes armados tomaram todo o dinheirinho da venda e ainda mataram a mulher que trabalhava com o marido, só porque ela gritou por socorro.
Imerso em tristeza que não sei expressar, o viúvo fez a seguinte declaração à Imprensa: “Eu tirava o leite, mas quem fazia o queijo era ela”.
A simplicidade das palavras e a forma plangente com a qual foram expressadas encheram de dó o coração dos repórteres que pensavam ter saído de casa para cobrir mais um dia comum de acidentes e assaltos.
Não foi um dia comum, pelo menos não para aquele homem que perdeu sua companheira das madrugadas frias da roça, labutando pelo sustento dos quatro filhos.
Sequer tiveram tempo para se lembrar que ontem foi o Dia dos Namorados.
Sequer tiveram tempo para dar um último adeus.
Sequer tiveram tempo.
A bala rompeu a vida... dos dois.

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