terça-feira, 20 de setembro de 2011

Barril de pólvora

A fuga de sete presos da penitenciária Mariano Antunes (apelidada gentilmente de “centro de recuperação”) é apenas uma gota d’água no oceano. A situação ali não é nada boa. São quase 600 pessoas apinhadas em celas fétidas que deveriam abrigar apenas 146 presos.
Recuperação não há. Que ninguém se iluda quanto a isso. Tanto é verdade que nos últimos quatro anos, nada menos de 36 detentos que saíram daquela casa penal encontraram a morte ao invés da ressocialização em Marabá.
E não é mera culpa do diretor e dos agentes da casa penal. A parcela deles é bem pequena. A culpa é do sistema.
E este parece um problema difícil de resolver, porque todos os dias a polícia prende gente nesta cidade, seja por tráfico, furto, roubo e muito raramente por assassinato. E quanto mais se prende, mais crimes acontecem e mais a penitenciária fica entupida de gente pobre.
E lá na casa penal, onde se formam guetos e classes sociais bem distintas, a tendência da maioria é fugir ou morrer tentando.
Onde vamos parar?

3 comentários:

Anônimo disse...

Quando do tumulto que aconteceu na Inglaterra, a premier alemã Ângela Merkel sugeriu ao primeiro ministro britânico, David Cameron, que ele prendesse todos que participaram daquele ato de depredação. Ele prontamente respondeu que nenhum daqueles participantes do ato iria preso, mas que iriam eles mesmo reconstruir o que destruíram com suas próprias mãos.

Por que nossos administradores não copiam esses exemplos vindo do primeiro mundo? Quantos milhares de presos temos nesse país mantidos na ociosidade, quando poderiam estar fazendo vicinais, estradas, pontes, trabalhando na infraestrutura do país em troca redução de pena? Aí sim estaria acontecendo a tal da ressocialização. Mas ociosos do jeito que estão, a única coisa que farão é isso aí: reincidir no crime colocando a vida dos demais em risco ou tombarem em consequência da vida pregueça que levam, dentro e fora da cadeia.

Estou colocando essa questão do aproveitamento da mão de obra dos presidiários em troca de benefícios apenas por colocar mesmo. Na verdade ninguém do poder quer minimizar esse quadro. Quanto pior melhor para eles usarem isso como meio de tirar voto do eleitorado amendrontado.

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Adir Castro

reporterchagasfilho disse...

Muito bom, Adir.
Essa sua ideia e outras neste mesmo sentido deveriam ser aproveitadas por aqueles que têm o poder para isso.
É óbvio que esta é uma saída perfeitamente viável, que pode mudar completamente a situação dos apenados deste país e ajudar a diminuir as reinscidências, as mortes e as fugas. Estou com vc.

Anônimo disse...

Específicamente no nosso caso (Brasil), sou contra ressocialização de apenados. Tal benefício só frutificaria caso houvesse estrutura condizente com o que se pretende aplicar. Não é o caso. Estamos aquém anos-luz dos países citados. São situações por sí só contraditórias. Por exemplo, nos EUA, em alguns estados, o preso produz o seu alimento, caso contrario....Em 23.09.11, Marabá-PA.