Páginas

terça-feira, 31 de maio de 2011

Desculpem a demora

Amigos, estou em Porto Velho (RO), participando do II Encontro de Jornalistas do Norte, patrocinado pela Fundação banco do Brasil, por isso ando meio sem tempo de atualizar nossa página. Mas vamos lá. Durante a semana teremos muita coisa. Aquele abraço.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Charles Trocate chorou

Não foi o choro dos covardes, dos que se escondem atrás de armas e mandam matar camponeses indefesos.
Não foi o choro dos donos de grandes propriedades, que proíbem a vida nas suas terras cheias de cercas e de gado.
Não foi o choro dos que criminalizam os humildes, exatamente os humildes, aqueles a quem Jesus disse que herdariam a terra.
Não foi o choro dos que contratam almas vazias para arrancar orelhas de gente morta.
Não foi o choro dos que ordenam a fome nas mesas alheias.
Não foi.
Foi o choro dos que constroem “versos de barricada”.
Dos que, a despeito de saberem que estão prestes a morrer, suam gotas de sangue, mas não arredam o pé do caminho.
Foi o choro dos bons, dos que sabem ler o mundo e ainda assim remam contra a maré.
Não há vergonha nesse choro.
O poeta não chora só por si ou pelo futuro que o aguarda. Chora pelos pequeninos, pelas almas desamparadas, proibidas de existir num país onde tanto se fala em liberdade.
“O que é? O que é? Clara e salgada, cabe num olho e pesa uma tonelada?”

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A pior das mortes

Conheci dona Maria do Espírito Santo, mais ou menos, uns quatro anos atrás. Ouvi atentamente ela dizer de sua luta diária contra poderosos madeireiros que estavam dizimando o PA Agroextrativista Praialtapiranheira, em Nova Ipixuna, sudeste do Estado.
Ouvi aquela mulher clamando por segurança para si, para seu esposo e para todos os camponeses que se opunham àquela prática criminosa.
Exemplo do que fazia o beija-flor, tentando apagar o incêndio na floresta, apenas com água que levava no seu bico, dona Maria do Espírito Santo e seu José Cláudio fizeram o que puderam.
Como uma voz que clama no deserto, eles procuraram a Imprensa, a polícia, o governo do Estado, a igreja, tudo. Não adiantou.
Ontem, dia 24 de maio de 2011, foram assassinados na porta de sua humilde casa, dentro da reserva que escolheram para morar e defender.
Morreram porque tomaram para si uma obrigação que deveria ser do Estado e não cobraram nada por isso.
Morreram porque este mesmo Estado lhe virou as costas.
Morreram não pelas balas do infeliz que tem coragem de atirar em idosos. Mas pela conivência de quem governa.
Será que ninguém é capaz de perceber que este mundo em que vivemos está de pernas para o ar, de cabeça para baixo, pelo avesso, destorcido, desconsertado, desgovernado, perdido...

terça-feira, 24 de maio de 2011

Mais duas mortes anunciadas

Acabo de receber a informação de que os camponeses Maria do Espírito Santo da Silva e José Claudio Ribeiro da Silva foram assassinados nesta manhã, no PA Agroextrativista Praialtapiranheira, em Nova Ipixuna.
Eles eram casados e vinham denunciando há anos a ação de madeireiros destruindo a floresta.
As vítimas denunciaram também, onde puderam, que estavam sendo ameaçadas de morte por estes mesmos madeireiros.
Mas o Estado, conivente, simplesmente deu as cotas àquele casal de trabalhadores.
Resultado: foram mortos.
É uma vergonha, uma tristeza, uma desgraça.
Não há palavras para expressar o que sinto neste momento.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Carajás: sou a favor, mas...

 
Não há dúvidas de que o Pará é um Estado de dimensões continentais, difícil de ser administrado.
Não existem dúvidas também de que o Pará abriga regiões com diferenças culturais e sociais gritantes.
Também é de conhecimento geral que as regiões sul e sudeste do Pará sempre foram alijadas pelos governos estaduais desde que o Pará é Pará.
Todos esses elementos já são boas justificativas para a divisão territorial, que tanto se prega.
Mas é muito simplório imaginar que a única forma de desenvolver uma região é simplesmente dividindo o Estado.
Além do mais, o comportamento dos políticos da capital em relação ao interior do Estado é o mesmo dos nossos amigos separatistas em relação às zonas rurais dos municípios.
Parafraseando o grande escritor uruguaio Eduardo Galeano, se nossa Serra dos Carajás produzisse rabanetes, ao invés de ferro, nossos políticos estariam tão interessados na emancipação? E os políticos da capital estariam tão preocupados em perder este território?
Acho pouco provável.
É por essas e outras que ainda não me decidi completamente em relação ao plebiscito.
O problema é que, mais cedo ou mais tarde, terei que tomar uma decisão.
Vamos estudar mais um pouco.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

"Povo governando": uma fonte inesgotável de asnices

Tomei um susto hoje pela manhã, ao ser surpreendido pela notícia de que a nova secretária municipal de Esporte será a ex-deputada Elza Miranda.
Ela substituirá o desportista Gentil Eduardo, que fez o que pôde enquanto as linhas das mãos gigantes que vêm do alto ainda estavam pregadas em seu paletó.
Mas, agora, que experiência tem Elza Miranda com o esporte?

A polpa oca da fruta

“Na América Latina, a liberdade de expressão consiste no direito ao resmungo em alguma rádio ou em jornais de escassa circulação. Os livros não precisam ser proibidos pela polícia: os preços já os proíbem”.
A frase do grande escritor uruguaio Eduardo Galeano pode ser aplicada em diversas situações nestes tempos de obscuridade que teimam em estacionar suas nuvens sobre nossas cabeças.
Não sabemos quem elegemos e tampouco por que elegemos este ou aquele político que agora senta eternamente em berço esplêndido, enquanto morremos um pouquinho a cada, dia na fila dos hospitais ou atropelados pela falta de emprego, de segurança e de moradia.
Mas por que o conhecimento anda tão longe do povo? Por que são como paralelas que nunca se cruzam?
Por que a TV aberta insiste em nos empurrar “Faustões” e nossos jornais nos invadem com fotos de gente morta?
Por que a chamada grande Imprensa só sabe nos servir o mesmo cardápio de sempre, com notícias que não servem para nada, a não ser para esquecer?
Posso estar completamente enganado, mas tenho certeza de que essa falta de conteúdo não é oba do acaso.